A ROSA DO FIM DO MUNDO ( CÂNTICOS PROFÉTICOS )

quarta-feira, 28 de março de 2012

Rintrah
















Agora a furtiva serpente caminha
em suave humildade,
e o justo exaspera-se nos desertos
onde vagueiam leões.

William Blake


Somos as flores da primavera
De Praga que nunca desabrocharão,
Pisoteadas pelos soldados incrédulos
Detentores da bestial destruição.

E as corolas que fugiram do chão
Foram trucidadas pelas metralhadoras,
Balas cuspidas com o hálito dos demônios
Que habitam o coração do próprio homem.

Deflagraram um ritual irreversível
De nossa tola escravidão
Inventada pela própria submissão
Que não quer ver o óbvio

Que está plantado no chão
Desta nave celestial Terra,
– enfeitiçada pelo sol,
Pondo infinitas voltas em nossos corações.


Foto da invasão de Praga, por tanques soviéticos:




sexta-feira, 16 de março de 2012

Paz, ainda que tardia





Ontem, tive saudades do futuro.
Apesar desse pisar no escuro,
Cultivamos a perdida lembrança
De sermos felizes com esperança.

Éramos irradiantes, andando
Em busca dos sonhos e desvendando
A cada passo, sem perder a calma,
O sol tangenciando nossas almas.

O tempo amarelou os sorrisos
Inexplicavelmente. Mais do que isso:
Foi implacável com os nossos ideais,
Desmoronando todos os frágeis umbrais.





Dante e Virgílio diante do portal do Inferno (Canto III).
Ilustração deWilliam Blake (século XVIII).