A ROSA DO FIM DO MUNDO ( CÂNTICOS PROFÉTICOS )

domingo, 17 de setembro de 2017

Francisco Carlos Fernandes







À memória de meu amigo poeta




Foi a nossa ignorancia :
A mesma que destroi a Terra
Que hermetiza nossos olhos
Da evidente luz ,
Da qual você fazia parte.

Ao longe, os impassíveis.
E ao seu lado do seu refúgio,
Último, uns poucos choravam

Eu, sorria...
Você era poeta!
Só eu sabia.
,

domingo, 10 de setembro de 2017

a rosa do fim do mundo





























Vós atirais a areia contra o vento,
e o vento sopra em vossa direção.
William Blake












Olhaste aflitíssimo para o abismo
Que tu próprio forjadamente fabricaste,
Com tanto júbilo, tanto ostracismo,
Da rosa deste mundo que arrancaste.

Não floresceu o apogeu do amanhã:
Gaivotas voltaram sem esperanças.
E na aurora descriada e anciã
Brotaram as sementes sem heranças.

Sai Febo em seu rasgado dominó,
Feito da sua própria e inútil pele,
Arrastando ossos, desatando o nó:
Fissura na alma que nunca foi dele.





Pictures by Willian Blake

ACESSE:

Google books:

A Rosa do Fim do Mundo:

http://books.google.com/books?id=YuRRtDqO6gAC&printsec=frontcover&dq=a+rosa+do+fim+do+mundo&cd=1#v=onepage&q=&f=false

http://24.233.183.33/cont/login/Index_Piloto.jsp?ID=bv24x7br


Biblioteca 24X7
Poesia : A rosa do fim do Mundo








segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Rodamundo








Como ao ianomâmi,
Dilaceram o meu corpo, 
Neste silêncio milenar.

Náufrago, solitário,
Num mar ondulante...
Na rapidez da vida.

O rajar dos ventos?
Vela não içada -
A caminho do precipício.

Breve é a alma humana:
Que despreza sua semente,
Tornando a terra infecunda.






marília,1981



foto:  Criança ianomâmi

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A janela








À minha mãe, Nair Rossetto





Da janela
Transcendentalmente saem olhos
Aos quatro cantos da imaginação.

Dos olhos
Saem lágrimas
– não sei se é
Por nada entender
Ou por entender tudo.

A vida passa defronte à janela
E os olhos veem o mundo
Nas asas da imaginação.
E as pessoas que passam
Não veem a janela
E muito menos os olhos.

Da janela,
Retangularmente, ela vê o mundo:
Um mundo sem emoção.
Sofrendo por dentro
Só lhe abro e fecho a janela.
Como me dói o coração!

E de noite
(quando o mundo descansa)
Eu fecho a janela
E, por que não dizer,
Os olhos de minha mãe.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Arando as estrelas (diz o cantor)


               




A burguesia não tem
Pátria, nem causa.
Mora nos mais altos castelos,
Inatingíveis do coração.

Inventando a miséria,
Espalhando a solidão,
Enchendo de fome
A carne humana.

Sua hipocrisia não tem preço,
Levando a terra
Sorrateiramente
À sua extinção.

Dividir as colinas,
Pois as águas que lá descem
São de todos,
Feitas por uma só mão.





Pictures by:

Vincent van Gogh


Reaper. 1889. Oil on canvas. Vincent van Gogh Foundation, Rijksmuseum Vincent van Gogh, Amsterdam, the Netherlands

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Simplesmente aquarelas...



















Não serei mais um poeta tolo
Do Terceiro Mundo... Cansei:
Do lápis, da tinta, aquarelas.

Estarei nas asas do tempo:
Onde é infinito o agora
Em todos os idiomas, único...
Quem dera!

Aquarelas, das tintas, do lápis,
Escreverei a língua dos povos
Unidos na foice e no martelo.

Não sou eu poeta louco,
Apocalíptico?
Já vou tarde no tempo,
Quem dera!

O que fizeram do mundo,
De mim, de ti?
Simplesmente aquarelas...







Marília, Agosto de 1981








Imagem retirada do site:


Vítimas da fome na Somália:
Vítimas da fome na Somália formam fila para receber comida. Produzir um quilo de carne requer 4,8 quilos de grão, e os críticos da agricultura moderna dizem que a propagação da dieta baseada na carne agrava a fome no mundo.


domingo, 4 de junho de 2017

Paz infinita, ainda que tardia


Se as porta da percepção se desvelarem, cada coisa apareceria ao homem como é, infinita.”
William Blake




Ontem, tive saudades do futuro...
Apesar de esse pisar no escuro,
Cultivamos a perdida lembrança
De sermos felizes com esperança.

Éramos irradiantes, andando
Em busca dos sonhos e desvendando
A cada passo, sem perder a calma,
O sol tangenciando nossas almas.

O tempo amarelou os sorrisos
Inexplicavelmente. Mais do que isso:
Foi implacável com os nossos ideais,
Desmoronando todos os frágeis umbrais.

Mas neste teimoso... aflito peito
Bate ainda incansável, no leito:
Um coração que ama e sobrevive
Pois isto é tudo para quem vive...




Dante e Virgílio diante do portal do Inferno (Canto III). 
Ilustração deWilliam Blake (século XVIII).