A ROSA DO FIM DO MUNDO ( CÂNTICOS PROFÉTICOS )

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Poema do suicida











A William Bach,
(in memoriam)


Era jovem, todo enamorado
Pelos acordes da vida.
Como um fado mal cantado
De porta em porta
Desvendando o melhor de mim.
Mas o tempo fez-me coitado,
Pôs rugas neste semblante emaranhado
Como feridas incicatrizáveis.
Apagando meus cantos
E descontrolado fiz do meu dominó
Todo cortado e sangrando:
Pois saí da vida
Antes que ela saísse de mim.

domingo, 17 de setembro de 2017

Francisco Carlos Fernandes







À memória de meu amigo poeta




Foi a nossa ignorancia :
A mesma que destroi a Terra
Que hermetiza nossos olhos
Da evidente luz ,
Da qual você fazia parte.

Ao longe, os impassíveis.
E ao seu lado do seu refúgio,
Último, uns poucos choravam

Eu, sorria...
Você era poeta!
Só eu sabia.
,

domingo, 10 de setembro de 2017

a rosa do fim do mundo





























Vós atirais a areia contra o vento,
e o vento sopra em vossa direção.
William Blake












Olhaste aflitíssimo para o abismo
Que tu próprio forjadamente fabricaste,
Com tanto júbilo, tanto ostracismo,
Da rosa deste mundo que arrancaste.

Não floresceu o apogeu do amanhã:
Gaivotas voltaram sem esperanças.
E na aurora descriada e anciã
Brotaram as sementes sem heranças.

Sai Febo em seu rasgado dominó,
Feito da sua própria e inútil pele,
Arrastando ossos, desatando o nó:
Fissura na alma que nunca foi dele.





Pictures by Willian Blake

ACESSE:

Google books:

A Rosa do Fim do Mundo:

http://books.google.com/books?id=YuRRtDqO6gAC&printsec=frontcover&dq=a+rosa+do+fim+do+mundo&cd=1#v=onepage&q=&f=false

http://24.233.183.33/cont/login/Index_Piloto.jsp?ID=bv24x7br


Biblioteca 24X7
Poesia : A rosa do fim do Mundo








segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Rodamundo








Como ao ianomâmi,
Dilaceram o meu corpo, 
Neste silêncio milenar.

Náufrago, solitário,
Num mar ondulante...
Na rapidez da vida.

O rajar dos ventos?
Vela não içada -
A caminho do precipício.

Breve é a alma humana:
Que despreza sua semente,
Tornando a terra infecunda.






marília,1981



foto:  Criança ianomâmi

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A janela








À minha mãe, Nair Rossetto





Da janela
Transcendentalmente saem olhos
Aos quatro cantos da imaginação.

Dos olhos
Saem lágrimas
– não sei se é
Por nada entender
Ou por entender tudo.

A vida passa defronte à janela
E os olhos veem o mundo
Nas asas da imaginação.
E as pessoas que passam
Não veem a janela
E muito menos os olhos.

Da janela,
Retangularmente, ela vê o mundo:
Um mundo sem emoção.
Sofrendo por dentro
Só lhe abro e fecho a janela.
Como me dói o coração!

E de noite
(quando o mundo descansa)
Eu fecho a janela
E, por que não dizer,
Os olhos de minha mãe.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Arando as estrelas (diz o cantor)


               




A burguesia não tem
Pátria, nem causa.
Mora nos mais altos castelos,
Inatingíveis do coração.

Inventando a miséria,
Espalhando a solidão,
Enchendo de fome
A carne humana.

Sua hipocrisia não tem preço,
Levando a terra
Sorrateiramente
À sua extinção.

Dividir as colinas,
Pois as águas que lá descem
São de todos,
Feitas por uma só mão.





Pictures by:

Vincent van Gogh


Reaper. 1889. Oil on canvas. Vincent van Gogh Foundation, Rijksmuseum Vincent van Gogh, Amsterdam, the Netherlands

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Simplesmente aquarelas...



















Não serei mais um poeta tolo
Do Terceiro Mundo... Cansei:
Do lápis, da tinta, aquarelas.

Estarei nas asas do tempo:
Onde é infinito o agora
Em todos os idiomas, único...
Quem dera!

Aquarelas, das tintas, do lápis,
Escreverei a língua dos povos
Unidos na foice e no martelo.

Não sou eu poeta louco,
Apocalíptico?
Já vou tarde no tempo,
Quem dera!

O que fizeram do mundo,
De mim, de ti?
Simplesmente aquarelas...







Marília, Agosto de 1981








Imagem retirada do site:


Vítimas da fome na Somália:
Vítimas da fome na Somália formam fila para receber comida. Produzir um quilo de carne requer 4,8 quilos de grão, e os críticos da agricultura moderna dizem que a propagação da dieta baseada na carne agrava a fome no mundo.