A ROSA DO FIM DO MUNDO ( CÂNTICOS PROFÉTICOS )

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Regenesis





















Nasceremos de novo
Depois do último
Cogumelo incandescente.

Apesar dos ventos, da noite
Das ditaduras que invadem
Nossas veias qual morfina,
Do beijo nunca dado
Algum dia...

Dos plânctons, dos néctares
Fissionará o arco-íris
Entre palmeiras, seringueiras
Amostrar o caminho:

Navegaremos entre os astros,
Feito Halley,
Resplandecendo todo dia.




















sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Vênus




























Quando você mostrou a abrupta flor.
De seu sexo
Nos seus lábios mornos impregnados,
Pelo desejo
Como vênus cintilante distraída,
No poente
Acariciando a alma dos mortais,
Docemente

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Há de vir

       











Os prenúncios da aurora
Povoarão de esperanças os dias vindouros,
E estando alegria, sempre presente:
Em cada momento, como se a vida
Renovasse a cada novo despertar,
E senti-la como se estivesse no início.
A alquimia que se faz ao passar dos anos
Nesse teu semblante, faça-o acreditar com Altivez,
No que vem sem prestar conta ao presente:
Os presságios inesperados do futuro.












Foto:  Imagem da Aurora Boreal

sábado, 4 de novembro de 2017

POUSAM OS ASTROS EM MINHAS MÃOS






Morre-se pra durar.”
Vicente Cechelero


Ó constelar sensação do efêmero,
Vem meteoricamente do infinito:
Quero beber todas suas estrelas!
Numa bodega com Rimbaud e Pessoa.

Num trago áspero e mortal
Na esquina do mundo, na beira do Zênite
Contemplando o passar dos astros
E nossas eternas musas.

No final dos tempos, ainda não vividos,
Embriagar-nos-emos da lucidez absurda
Sem ter pena deste pobre corpo,
Desta matéria vã e finita.

E depois sairemos caminhando pela areia,
Nesta plenitude, na comunhão do êxtase,
A seguir passos já marcados pelo relógio
Previsível e irreversível do tempo...

Sentindo o frescor das espumas das ondas
Espraiando-se ao redor deste mundo,
Do mar que banha este véu intergaláctico
A que nós humanos, chamamos de imensidão.





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sábado, 28 de outubro de 2017

A IDADE DA LUZ





















A dor da solidão deste tempo,
Represada nesses capilares.
E o pulsar da existência
Transborda todo mar contido d'alma
Escorrendo em teu continente.

Não sairemos ao fim do teatro
E apagaremos as luzes.
Não daremos o beijo no filho,
Vestindo-o com sombra da morte,
Plantando flores em sua trincheira.

O tempo, aliado e inimigo
Milenar do outrora e futuro,
E a vida trampolim celestial
De toda essa metafísica.
Não esmoreçamos agora.

Qual é a dor maior do mundo
Que faz a redenção do tempo
Num espaço exato finito,
E cicatrizará a chaga ao ver o semblante
Do seu maior inimigo no rosto de Deus?














Desenho por Carlos Drummond de Andrade, por ele mesmo!






quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Poema do suicida











A William Bach,
(in memoriam)


Era jovem, todo enamorado
Pelos acordes da vida.
Como um fado mal cantado
De porta em porta
Desvendando o melhor de mim.
Mas o tempo fez-me coitado,
Pôs rugas neste semblante emaranhado
Como feridas incicatrizáveis.
Apagando meus cantos
E descontrolado fiz do meu dominó
Todo cortado e sangrando:
Pois saí da vida
Antes que ela saísse de mim.

domingo, 17 de setembro de 2017

Francisco Carlos Fernandes







À memória de meu amigo poeta




Foi a nossa ignorancia :
A mesma que destroi a Terra
Que hermetiza nossos olhos
Da evidente luz ,
Da qual você fazia parte.

Ao longe, os impassíveis.
E ao seu lado do seu refúgio,
Último, uns poucos choravam

Eu, sorria...
Você era poeta!
Só eu sabia.
,