A ROSA DO FIM DO MUNDO ( CÂNTICOS PROFÉTICOS )

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Argonauta de mim

















Minha alma é um lago
Que nenhuma nau singra
E a intenção de onda
Dispersou-se antes da vinga.




Tantas vezes fingi sentir
Fugir dos próprios sentimentos:
Os pensamentos que vem
Sem sentir pena de mim.


Queria eu ser uma nau
A singrar mares sem fim.
Argonauta solitário, a esperar:
Retardando a esmo o meu fim.












Outrora: deverasmente sonhei.


Tornei-me escravo de mim mesmo
E os sonhos, ficaram a esmo,
Sendo talvez, meros devaneios:
Ridículos, tolos pensamentos.

Onde só ficando a certeza:
Aqui só vale a esperteza...
Como este mundo sendo feito
Para calar o teimoso peito:

Longínqua e tênue esperança,
Tornando-se assim em descrença:
Aquilo que deveria ser a mais
Bela caminhada sem nenhuns ais.

Só ficando finalmente o ato:
Acabando de vez o abrupto
Espetáculo do firmamento,
Do contínuo descontentamento.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Pela longa e sinuosa estrada


























Pela longa e sinuosa estrada
Caminho sozinho,
Sem querer prosseguir.
Vou simplesmente,
Por não saber voltar,
Cada vez mais longe de você
E de minha juventude.

Vários caminhos percorri,
Que nunca levaram até a mim.
E o tempo, a limitar a procura,
Esmaga todos os sonhos,
Só restando, então, esse caminho
Que é pelo menos o mais
Semelhante ao seu sorriso.





domingo, 25 de dezembro de 2016

Há de vir

       











Os prenúncios da aurora
Povoarão de esperanças os dias vindouros,
E estando alegria, sempre presente:
Em cada momento, como se a vida
Renovasse a cada novo despertar,
E senti-la como se estivesse no início.
A alquimia que se faz ao passar dos anos
Nesse teu semblante, faça-o acreditar com Altivez,
No que vem sem prestar conta ao presente:
Os presságios inesperados do futuro.












Foto:  Imagem da Aurora Boreal

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Poema do suicida











A William Bach,
(in memoriam)


Era jovem, todo enamorado
Pelos acordes da vida.
Como um fado mal cantado
De porta em porta
Desvendando o melhor de mim.
Mas o tempo fez-me coitado,
Pôs rugas neste semblante emaranhado
Como feridas incicatrizáveis.
Apagando meus cantos
E descontrolado fiz do meu dominó
Todo cortado e sangrando:
Pois saí da vida
Antes que ela saísse de mim.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

FILHO DOS ASTROS...






















Não sou filho do homem
Em todos os planetas.

Sou filho do sol
De todas as constelações.

O germe do trigo
Florescendo sem medo.

Voo livre no horizonte

domingo, 6 de novembro de 2016

Regenesis





















Nasceremos de novo
Depois do último
Cogumelo incandescente.

Apesar dos ventos, da noite
Das ditaduras que invadem
Nossas veias qual morfina,
Do beijo nunca dado
Algum dia...

Dos plânctons, dos néctares
Fissionará o arco-íris
Entre palmeiras, seringueiras
Amostrar o caminho:

Navegaremos entre os astros,
Feito Halley,
Resplandecendo todo dia.




















sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A TRAVESSIA





























"Mas como pensar que a intimida
O grito monstruoso do vento ..." ?
Yeates



Os dias vividos não se esmaecem,
ao passar do tempo: como um caminhar
ao relento, deixando marcas no chão.
pisoteadas pelas lembranças,
desaparecidas ao sereno,
no cair do orvalho, subitamente.

Olhares que aquecem minh'alma e
nos lábios que ficaram impregnadas
as minhas esperanças ingênuas:
num arder como um sol
toda manhã e não poder
tocá-lo e sentir toda a sua essência.

Já partiram todas as gentes.
Num porto estelar solitário, estou...
...impunemente a espera de untar
este corpo, sendo que fosse o destino:
a brincar a se esconder dos ventos
- Um suspiro divino inconsciente.


Pictures  by Willian Blake