A ROSA DO FIM DO MUNDO ( CÂNTICOS PROFÉTICOS )

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

FILHO DOS ASTROS...






















Não sou filho do homem
Em todos os planetas.

Sou filho do sol
De todas as constelações.

O germe do trigo
Florescendo sem medo.

Voo livre no horizonte

domingo, 6 de novembro de 2016

Regenesis





















Nasceremos de novo
Depois do último
Cogumelo incandescente.

Apesar dos ventos, da noite
Das ditaduras que invadem
Nossas veias qual morfina,
Do beijo nunca dado
Algum dia...

Dos plânctons, dos néctares
Fissionará o arco-íris
Entre palmeiras, seringueiras
Amostrar o caminho:

Navegaremos entre os astros,
Feito Halley,
Resplandecendo todo dia.




















sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A TRAVESSIA





























"Mas como pensar que a intimida
O grito monstruoso do vento ..." ?
Yeates



Os dias vividos não se esmaecem,
ao passar do tempo: como um caminhar
ao relento, deixando marcas no chão.
pisoteadas pelas lembranças,
desaparecidas ao sereno,
no cair do orvalho, subitamente.

Olhares que aquecem minh'alma e
nos lábios que ficaram impregnadas
as minhas esperanças ingênuas:
num arder como um sol
toda manhã e não poder
tocá-lo e sentir toda a sua essência.

Já partiram todas as gentes.
Num porto estelar solitário, estou...
...impunemente a espera de untar
este corpo, sendo que fosse o destino:
a brincar a se esconder dos ventos
- Um suspiro divino inconsciente.


Pictures  by Willian Blake


sábado, 10 de setembro de 2016

Embala-me no teu colo com ternura...














Pictures by

vincent-van-gogh-starry-night (1)










Minha alma anda presa
Neste verso que lhe escrevo.
Este sortilégio passageiro,
Trás o universo num pedaço
Na palma das mãos, faz sentir por inteiro.
Embala-me neste teu colo cosmogênico
No frescor do sentir do eterno:
   Em vão não são as palavras ditas aos ventos
   Aquelas impregnadas por sentimentos,
   Da razão do pensar e emana
   O elemento essencial que somos feitos.


sábado, 13 de agosto de 2016

Pela longa e sinuosa estrada


























Pela longa e sinuosa estrada
Caminho sozinho,
Sem querer prosseguir.
Vou simplesmente,
Por não saber voltar,
Cada vez mais longe de você
E de minha juventude.

Vários caminhos percorri,
Que nunca levaram até a mim.
E o tempo, a limitar a procura,
Esmaga todos os sonhos,
Só restando, então, esse caminho
Que é pelo menos o mais
Semelhante ao seu sorriso.





sexta-feira, 25 de março de 2016

Quarta-feira de cinzas














Feito anjo a morte lhe vestia
Nesse banco de réus suicidas.
Apoteose do sonho lhe cobria,
Como alegorias coloridas.

Mas o medo não brotou. Hoje em dia
Vem de longe, da tarde entristecida,
Sintetizado na noite fria,
Forjando a maldade enfurecida.

Hão de secar as veias do coração
Da criança ainda não renascida.
E nem esta tola milenar oração

Tirá-lo-á da inexorável cruz,
Esculpida invenção da explosão
Da sua própria e infinita luz.




Luis Antonio Rossetto é Registered & Protected Blog Entry


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