A ROSA DO FIM DO MUNDO ( CÂNTICOS PROFÉTICOS )

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Regenesis





















Nasceremos de novo
Depois do último
Cogumelo incandescente.

Apesar dos ventos, da noite
Das ditaduras que invadem
Nossas veias qual morfina,
Do beijo nunca dado
Algum dia...

Dos plânctons, dos néctares
Fissionará o arco-íris
Entre palmeiras, seringueiras
Amostrar o caminho:

Navegaremos entre os astros,
Feito Halley,
Resplandecendo todo dia.




















sábado, 10 de setembro de 2016

Embala-me no teu colo com ternura...














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Minha alma anda presa
Neste verso que lhe escrevo.
Este sortilégio passageiro,
Trás o universo num pedaço
Na palma das mãos, faz sentir por inteiro.
Embala-me neste teu colo cosmogênico
No frescor do sentir do eterno:
   Em vão não são as palavras ditas aos ventos
   Aquelas impregnadas por sentimentos,
   Da razão do pensar e emana
   O elemento essencial que somos feitos.


sábado, 13 de agosto de 2016

Pela longa e sinuosa estrada


























Pela longa e sinuosa estrada
Caminho sozinho,
Sem querer prosseguir.
Vou simplesmente,
Por não saber voltar,
Cada vez mais longe de você
E de minha juventude.

Vários caminhos percorri,
Que nunca levaram até a mim.
E o tempo, a limitar a procura,
Esmaga todos os sonhos,
Só restando, então, esse caminho
Que é pelo menos o mais
Semelhante ao seu sorriso.





sexta-feira, 25 de março de 2016

Quarta-feira de cinzas














Feito anjo a morte lhe vestia
Nesse banco de réus suicidas.
Apoteose do sonho lhe cobria,
Como alegorias coloridas.

Mas o medo não brotou. Hoje em dia
Vem de longe, da tarde entristecida,
Sintetizado na noite fria,
Forjando a maldade enfurecida.

Hão de secar as veias do coração
Da criança ainda não renascida.
E nem esta tola milenar oração

Tirá-lo-á da inexorável cruz,
Esculpida invenção da explosão
Da sua própria e infinita luz.




Luis Antonio Rossetto é Registered & Protected Blog Entry


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quinta-feira, 17 de março de 2016

Inspirado em você!








É dever do homem:
Cuidar da terra,
Proteger os bichos,
Manter o azul do céu.

Encontrando a estrada,
A levar o filho,
Sempre ao novo,
Sempre ao belo.

A maldade existe.
Só para quem não quer ver
O mundo nasceu livre
Para a gente se ver.

O sonho antigo
Não é mais uma quimera.
Está em tudo:
Na praça, na lua,
Na cara do povo
Escrevendo a História.


Operários
Somos todos nós.
A razão de tudo
É a gente se ver.

A cidade está grande.
Nosso sorriso em inglês,
Mais distante,
       Eu e você.    









sábado, 12 de março de 2016

ASAS DOS CONDORES


" E a minha voz nascerá de novo,
talvez noutro tempo sem dores,
e nas alturas arderá de novo o meu coração
ardente e estrelado"

Pablo Neruda




Soltem as asas do povo
antes que não mais existam asas,
antes que não mais exista povo.
Deixem-nas à solta
para encontrarem o seu destino.
Deixem-nas ao vento
em busca do infinito:
- A liberdade.

As asas foram feitas pra voar.
Não há grandes asas
para um povo inócuo.
Não há grande povo
com asas frágeis.
O que eles querem
é um povo sem asas:


- Asas dos condores.



Marilia, 1980, em  plena ditadura militar.

domingo, 6 de março de 2016

Lembrança da paz














À Beta quando triste...














Você esqueceu
Os sonhos, as lutas,
A nossa juventude.

A pichar muros
Sem temer metralhadoras,
Para mostrar o coração.
Da esquina... Onde demos
O primeiro beijo
Para mostrar ao mundo
Que o amor existia.

Não lembra?
Como pôde ter esquecido!
Seu barco contracorrente
Nem sequer naufragou.
E, se naufragar, não tenha medo,
As gaivotas mostrarão a terra
E lá construiremos outro.

Nenhuma bomba
Apagará nosso sorriso.
Fugiremos antes
Para aquela estrela,
Onde se reunirão os que sonham.
E lá viveremos nossa juventude.








Maio, 1980  ( Marília )