A ROSA DO FIM DO MUNDO ( CÂNTICOS PROFÉTICOS )

domingo, 14 de dezembro de 2014

Plim! Plim!








No meu país
Armas andam ocultas
E, no escuro, certeiras
No poeta da esquina.

No meu país
Soldados juram, cegos,
E defendem uma bandeira
Que vem de longe e oprime.

No meu país
Não há juventude nas ruas
E se tem a brusca sensação
De se estar no estrangeiro.

No meu país
Pessoas sonham sozinhas
E de noite
Assistem à televisão:

O sonho, o poeta, o país
Ficam na mira
Do canhão computadorizado:

Plim! Plim!




       MARÍLIA, 1983

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Metamorfose




Tenho no olhar o passar de mil eras
Já fatigadas de tantas esperas.
E, apesar de tudo isso, tenho todos
Os sonhos de um mundo se eclodindo.

Não se apegar em nada?
Tudo é implacavelmente perecível,
Como num ranger de porta
E ver o abismo escondido.

Eras e eras se consomem
– eras que a vida tem.
Melhor coisa neste mundo
É não gostar de ninguém.

A caminhada que se faz só é injusta,
E abandonado não se apercebe foragido
De sua própria lucidez abstraída
Inventada por um Deus invisível.

Será que este destino é o fim?
Que o homem seja digno do cosmos,
Perpetuando-o e, nesse viajar,
Deixando rastros de estrelas.


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

ressoNância








Ressonância





À UNE, de outrora.






Não quero ver o mal
A sacudir a multidão de novo
Para o velho caminho chamuscado
Pelos canhões dos poderosos na noite.

Articulando a miséria do povo,
A cobiça do moço e a escravidão
De nossas tão novas consciências
Tiradas à força da inocência.

Retornemos às ruas
O operário, os estudantes,
Para celebrar a velha lembrança...
De um novo dia a surgir.









Marília, maio de 1982 











imagem retirada da internet:

sábado, 1 de novembro de 2014

CANTO DA TERRA VIAJANDO






As flores do mal não brotarão
Sob os teus olhos inocentes,
Nem os sacerdotes do medo
Abafarão com seus cânticos
Os hinos de liberdade.
Nem as profundezas da escuridão
Conterão as luzes dos teus olhos:
Plantadores de quimeras.
Seguiremos impassivelmente,
Apesar das inesperadas tormentas
Nesta nave celestial, errante
- Singrando este divino oceano,
Indo de encontro ao porto seguro
Do seu coração de eterna criança.



metamorfose









Tenho no olhar o passar de mil eras
Já fatigadas de tantas esperas.
E, apesar de tudo isso, tenho todos
Os sonhos de um mundo se eclodindo.

Não se apegar em nada?
Tudo é implacavelmente perecível,
Como num ranger de porta
E ver o abismo escondido.

Eras e eras se consomem
– eras que a vida tem.
Melhor coisa neste mundo
É não gostar de ninguém.

A caminhada que se faz só é injusta,
E abandonado não se apercebe foragido
De sua própria lucidez abstraída
Inventada por um Deus invisível.

Será que este destino é o fim?
Que o homem seja digno do cosmos,
Perpetuando-o e, nesse viajar,
Deixando rastros de estrelas.

domingo, 20 de julho de 2014

O inexistente












Nestes dias vindouros, onde o tempo
Ainda não ousou nos possuir.
Sendo a matéria apenas uma ilusão,
Teimosamente, tentando existir.
Tendo a vida não ainda concebida:
Como um singelo poema nunca lido.


A vida... Este mistério profundo.
Como o buquê de um vinho raro
Somente apreciado pelos deuses
(Guardado num canto esquecido),
Sabemos a existência do seu eterno aroma
Porém, nunca será intensamente sentido.

Posto como cálidas esperanças
Como num dia, preparando o futuro,
E que nunca serão possivelmente vividos,
Ou quem dera, nunca deveriam ter sido.
Restando somente a tola saudade:
O presente sem o agora não existe.





Imagem de um buraco negro ( telescópio Hubble )