A ROSA DO FIM DO MUNDO ( CÂNTICOS PROFÉTICOS )

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Arando as estrelas (diz o cantor)


               




A burguesia não tem
Pátria, nem causa.
Mora nos mais altos castelos,
Inatingíveis do coração.

Inventando a miséria,
Espalhando a solidão,
Enchendo de fome
A carne humana.

Sua hipocrisia não tem preço,
Levando a terra
Sorrateiramente
À sua extinção.

Dividir as colinas,
Pois as águas que lá descem
São de todos,
Feitas por uma só mão.





Pictures by:

Vincent van Gogh


Reaper. 1889. Oil on canvas. Vincent van Gogh Foundation, Rijksmuseum Vincent van Gogh, Amsterdam, the Netherlands

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Simplesmente aquarelas...



















Não serei mais um poeta tolo
Do Terceiro Mundo... Cansei:
Do lápis, da tinta, aquarelas.

Estarei nas asas do tempo:
Onde é infinito o agora
Em todos os idiomas, único...
Quem dera!

Aquarelas, das tintas, do lápis,
Escreverei a língua dos povos
Unidos na foice e no martelo.

Não sou eu poeta louco,
Apocalíptico?
Já vou tarde no tempo,
Quem dera!

O que fizeram do mundo,
De mim, de ti?
Simplesmente aquarelas...







Marília, Agosto de 1981








Imagem retirada do site:


Vítimas da fome na Somália:
Vítimas da fome na Somália formam fila para receber comida. Produzir um quilo de carne requer 4,8 quilos de grão, e os críticos da agricultura moderna dizem que a propagação da dieta baseada na carne agrava a fome no mundo.


domingo, 4 de junho de 2017

Paz infinita, ainda que tardia


Se as porta da percepção se desvelarem, cada coisa apareceria ao homem como é, infinita.”
William Blake




Ontem, tive saudades do futuro...
Apesar de esse pisar no escuro,
Cultivamos a perdida lembrança
De sermos felizes com esperança.

Éramos irradiantes, andando
Em busca dos sonhos e desvendando
A cada passo, sem perder a calma,
O sol tangenciando nossas almas.

O tempo amarelou os sorrisos
Inexplicavelmente. Mais do que isso:
Foi implacável com os nossos ideais,
Desmoronando todos os frágeis umbrais.

Mas neste teimoso... aflito peito
Bate ainda incansável, no leito:
Um coração que ama e sobrevive
Pois isto é tudo para quem vive...




Dante e Virgílio diante do portal do Inferno (Canto III). 
Ilustração deWilliam Blake (século XVIII).







quinta-feira, 1 de junho de 2017

A Lápide


       











" Queime o seu demônio interior..."
   Jim Morrison 
  ( Poeta e Músico):

   Em sua Lápide  ( França ).







Ainda quente o corpo na lápide fria,
Singelo instante deteriorante,
Êxtase descarnal da injúria
Da despedida fugaz da vida.

Nas abomináveis noites nunca amanhecidas
Esplendoroso êxtase do momento
Saindo os vermes a cada poro do corpo
Sintetizados pelo próprio ser.

Hão de encontrar outra saída,
Na perambulante sordidez do desencanto,
E reinar a verdade absoluta
Tão próxima de nossas mãos.























quinta-feira, 18 de maio de 2017

A procura







"Que os Sacerdotes do Corvo da aurora,
não mais, com suas vestes mortais,
com áspero som maldigam os filhos da alegria".
Pois tudo o que vive é Sagrado.

William Blake




Este tempo da procura
Do lamento e do desencontro.
Veneramos a matéria,
Cortejamos a luxúria.
Estamos sempre de partida
Antes da chegada,
A um lugar que não tem estrada
Alguma para alcançar:
Que o destino seja piedoso
Com o nosso sortilégio.






Imagem retirada da internet:



Chico Mendes:


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A ROSA DO FIM DO MUNDO




















Vós atirais a areia contra o vento,
e o vento sopra em vossa direção.
William Blake












Olhaste aflitíssimo para o abismo
Que tu próprio forjadamente fabricaste,
Com tanto júbilo, tanto ostracismo,
Da rosa deste mundo que arrancaste.

Não floresceu o apogeu do amanhã:
Gaivotas voltaram sem esperanças.
E na aurora descriada e anciã
Brotaram as sementes sem heranças.

Sai Febo em seu rasgado dominó,
Feito da sua própria e inútil pele,
Arrastando ossos, desatando o nó:
Fissura na alma que nunca foi dele.





Pictures by Willian Blake

ACESSE:

Google books:

A Rosa do Fim do Mundo:

http://books.google.com/books?id=YuRRtDqO6gAC&printsec=frontcover&dq=a+rosa+do+fim+do+mundo&cd=1#v=onepage&q=&f=false

http://24.233.183.33/cont/login/Index_Piloto.jsp?ID=bv24x7br


Biblioteca 24X7
Poesia : A rosa do fim do Mundo



























quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A IDADE DA LUZ



A dor da solidão deste tempo,
Represada nesses capilares.
E o pulsar da existência
Transborda todo mar contido d'alma
Escorrendo em teu continente.

Não sairemos ao fim do teatro
E apagaremos as luzes.
Não daremos o beijo no filho,
Vestindo-o com sombra da morte,
Plantando flores em sua trincheira.

O tempo, aliado e inimigo
Milenar do outrora e futuro,
E a vida trampolim celestial
De toda essa metafísica.
Não esmoreçamos agora.

Qual é a dor maior do mundo
Que faz a redenção do tempo
Num espaço exato finito,
E cicatrizará a chaga ao ver o semblante
Do seu maior inimigo no rosto de Deus?














Desenho por Carlos Drummond de Andrade, por ele mesmo!






segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Argonauta de mim

















Minha alma é um lago
Que nenhuma nau singra
E a intenção de onda
Dispersou-se antes da vinga.




Tantas vezes fingi sentir
Fugir dos próprios sentimentos:
Os pensamentos que vem
Sem sentir pena de mim.


Queria eu ser uma nau
A singrar mares sem fim.
Argonauta solitário, a esperar:
Retardando a esmo o meu fim.












Outrora: deverasmente sonhei.


Tornei-me escravo de mim mesmo
E os sonhos, ficaram a esmo,
Sendo talvez, meros devaneios:
Ridículos, tolos pensamentos.

Onde só ficando a certeza:
Aqui só vale a esperteza...
Como este mundo sendo feito
Para calar o teimoso peito:

Longínqua e tênue esperança,
Tornando-se assim em descrença:
Aquilo que deveria ser a mais
Bela caminhada sem nenhuns ais.

Só ficando finalmente o ato:
Acabando de vez o abrupto
Espetáculo do firmamento,
Do contínuo descontentamento.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Pela longa e sinuosa estrada


























Pela longa e sinuosa estrada
Caminho sozinho,
Sem querer prosseguir.
Vou simplesmente,
Por não saber voltar,
Cada vez mais longe de você
E de minha juventude.

Vários caminhos percorri,
Que nunca levaram até a mim.
E o tempo, a limitar a procura,
Esmaga todos os sonhos,
Só restando, então, esse caminho
Que é pelo menos o mais
Semelhante ao seu sorriso.