A ROSA DO FIM DO MUNDO ( CÂNTICOS PROFÉTICOS )

sábado, 3 de dezembro de 2011

OBSTINAÇÃO




















Longe, perto:
o tempo.

E através, meramente,
os átomos se agrupam.
Por sorte?
- O sentimento.

Instantaneamente,
os átomos se colidem,
inocentes -
doutra dimensão
são inconscientes...
por sorte?

Longe, perto:
o tempo.

domingo, 25 de setembro de 2011

O amor...

















O amor...
Não nasce assim... De surpresa.
Ele é fruto de sinceridades
Mutuamente sentidas.

É todo um magnetismo
Na ofuscante descoberta
Em que a cada troca de olhar
Verifica-se o amor crescendo.

Não é apenas um tocar.
É também um eterno
Pensar e sentir.

É todo um ato de confiança:
Um entregar por inteiro,
       Sem ter que temer o falso amor



imagem por:

http://coisasdemaecoruja.blogspot.com/2010_04_01_archive.html






domingo, 14 de agosto de 2011

No apogeu do teu ser




















O esplendor das horas em tua companhia
Faz mover os astros silenciosamente,
Desvendando os segredos do gênesis,
Acariciando a languidão do ser.

Noutros corpos viajei
Num vaivém do êxtase,
Pondo um sorriso não eterno nos olhos,
Habitando impiedosamente o coração.

Mas não encontrei a mim mesmo.
Só reflexos do nada, herméticos
Instantes – rio que flui sem leito:
Teu corpo que outrora amei.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Ao tempo...











A Leonardo Vallilo Rossetto,
 meu filho


   



Reverencio o futuro
E dou-lhe o que tenho de mais precioso:
Muito além da minha vida: o meu filho!
– Germe de esperança que me fecunda.

Ouve a voz do tempo...
– Tem todas as línguas do universo,
E, ao mesmo tempo, nenhuma:
O silêncio.

Tempo, Tempo, Tempo:
Esplendores magníficos...
Pai de todas as horas, do destino:
Dilacerado a cada segundo...


Tempo, Tempo, Tempo:
Dos instantes indivisíveis: não vividos.
O deus mais poderoso!
Pelo qual, os outros não existiriam...


sábado, 16 de julho de 2011

A janela








À minha mãe, Nair Rossetto





Da janela
Transcendentalmente saem olhos
Aos quatro cantos da imaginação.

Dos olhos
Saem lágrimas
– não sei se é
Por nada entender
Ou por entender tudo.

A vida passa defronte à janela
E os olhos veem o mundo
Nas asas da imaginação.
E as pessoas que passam
Não veem a janela
E muito menos os olhos.

Da janela,
Retangularmente, ela vê o mundo:
Um mundo sem emoção.
Sofrendo por dentro
Só lhe abro e fecho a janela.
Como me dói o coração!

E de noite
(quando o mundo descansa)
Eu fecho a janela
E, por que não dizer,
Os olhos de minha mãe.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Boulevard!


















Passam enfim:  últimos trens...
Ficando, por fim... Boulevard!
Espaço aberto que tens:
Em que nunca vamos chegar.

Lembra-te das promessas
Do florescer do agora:
Ao ver lindas borboletas
Ao tecer da nossa aurora.


A nuvem negra paira,
A certeza que fugiu,
Virando abrupta ira:
Da nossa ilusão... Sumiu.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Guerrilheiro










“...Hay que endurecer,
pero sin perder la 
ternura jamás...”

Che Guevara













Vou andando pela vida,
Por estradas que me guiam:
Liberdade!

Vou procurando pela vida
E cada vez mais te amando:
Liberdade!

Deixo meu amor esperando,
Ela sabe que procuro.
E a cidade de velhas maneiras
Deixo-a na estação primeira –
Vou andando!

Sei que andar é preciso,
Mas, quando aperta a saudade,
Volto aos braços amantes.
E retomo a procura,
Com ela no coração:
Vou sonhando.





Marília, primavera de 1980,